segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Já fui Clarice

Já fui a desengonçada das aulas de dança que chamava atenção dos meninos que tinham atração por meninas reservadas e inteligentes. Já inventei de brincar de criar mundos para um amor, de criar roteiros juntos e ter ideias maravilhosas. Já tive amores que me permitiram ter um parceiro para todas as loucuras artísticas necessárias. Nunca me atrevi a escrever canções, não tenho esse maravilhoso dom como Clarice, mas já dediquei poemas a pessoas que gostava.
Já escrevi uma gama de poemas dedicadas a uma pessoa só, como uma monomania e ensinei vários vocábulos loucos ao meu parceiro de alguns anos atrás.
Já recebi cartas que não queria receber, PUBLICAMENTE.
Já tive gente se intrometendo em minha vida amorosa -enquanto essa desmoronava-, dizendo não suportar que a ideia de casal perfeito se separasse bem diante de seus olhos. Já tive gente fofocando sobre meu término e apontando dedos porque meu ex dizia sentir saudade de mim sem expôr o acontecimento por completo.
Já acordei em uma semana qualquer me sentindo uma estranha em minha zona de conforto devido a uma súplica de nostalgia de um ex meu, devido a uma intromissão invasiva em minha vida. DESNECESSARIAMENTE.
Já fui quase apedrejada porque os que queriam opinar no meu término, só aceitavam um lado da história e achavam que de alguma forma eu tinha que me representar como uma promotora e vender a minha.
Minha vida.
Foi bonito enquanto durou. Foi bonito enquanto eu me sentia bem de estar ali. Mas acabou. E é horrível quando os outros tentam "ajudar" por acharem que não podem de maneira alguma ver a ideia de amor deles se desfazer.
Tenho meus momentos de nostalgias, de escrever textos, poesias, prosas... Talvez uma carta, mas nunca me submeteria a uma aparição pública desse jeito -atrevo a dizer que foi uma saudade exposta sem necessidade, embora de boa intenção.
Não seria mais bonito ligar ao meio da noite e dizer tudo isso?
Escrever uma carta e agonizar enquanto ela não chegasse?
Não seria mais bonito pegar o papel com suas escritas em mão e proclamar sua saudade a ela, somente a ela?
Não seria bonito deixar esvair o que não faz mais bem e devanear nessas memórias sem passar uma ideia errada de amor aos outros?

Não tenho raiva de meus antigos amores, com todos aprendi e cresci que fique bem claro, viu.

E povo, público, plateia. Amor é sim arte, mas não uma que te permite palpitar sobre os sentimentos do protagonistas. Sobre a vida deles. Não é um leilão de histórias.

Sobre: Coluna de Gregório
Opinião: Uma remexida em sentimentos nostálgicos do autor de uma maneira totalmente pública e simples, talvez até romântica. Porém muito invasiva para Clarice, suponho eu. Texto simples e romântizado que mostra o que é relembrar um relacionamento e publicar sobre ele para que todo o território nacional veja.

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